"Você pode não gostar, não concordar e até se ofender com o conteúdo aqui escrito. Você pode se expressar livremente, pode argumentar e quiçá mudar a minha opinião, pois enquanto eu viver, não posso e não pretendo ser definitiva. O que você não pode é tentar me impedir de dizer o que penso. Porque, embora eu ache que estejamos muito perto da censura, ainda posso dizer o que eu penso e você ainda pode fechar a janelinha no seu computador."


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Eu não votei no Temer!



Como diz o título deste texto, eu não votei no Temer! Não votei no Temer, porque não votei na chapa da Dilma. Numa breve análise numérica das eleições de 2014, podemos perceber que a diferença entre a Dilma e o Aécio foi ínfima e que o PMDB foi fundamental na conquista do pódio. Se não o fosse, tal aliança nem seria concretizada. E esta aliança, não implica apenas num nome para dividir os cartazes com a Dilma, implica também numa divisão de funções e cargos dentro da administração do governo. Quantos ministérios o PMDB angariou? Se o argumento for que o PMDB é tão culpado quanto o PT e que deveria cair junto, eu concordarei sem um pio, mas o argumento utilizado de falácias como a ilegitimidade do Temer no poder, não merece sequer ser ponderado. Ora, dizer que o Temer não foi eleito, não só é uma cretinice, como uma idiotice sem precedentes. Farei um apelo à honestidade íntima de cada cidadão que emprega esta alegação: se o candidato que você julga o mais capaz para presidir a nação nas próximas eleições, seja ele quem for, tivesse o Jair Bolsonaro (entendo que alguém que tenha votado na chapa da Dilma tende a achar o Bolsonaro repugnante, mas se não for o caso, pense em um que assim o seja) como vice, você votaria nesta chapa? Não precisa me responder, é apenas para reflexão.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Um peso, duas medidas




 
Quem fala o que quer, escuta o que não quer, já dizia a minha vó. O deputado Jair Messias Bolsonaro deve arcar com a responsabilidade da sua declaração. Se fosse num país mais civilizado, eu poderia afirmar que o discurso que antecedeu o seu voto foi um suicídio político, mas, em se tratando de um país, cuja memória curta elege os mesmos parlamentares ano após ano, eu digo categoricamente que todos esquecerão até as próximas eleições. Que o Bolsonaro é uma viúva da ditadura militar, todos nós sabemos, mas parabenizar um torturador em uma sessão oficial, foi demais até para os padrões dele. Seus fãs esperavam um momento “turn down for what” mais “badass” de todas as declarações de Bolsomito (como estes retardados se referem a ele), mas se depararam com o momento mais vergonha alheia de todos os tempos, digno de tornar a Dilma a pessoa mais sensata do planeta. Muitos de seus possíveis eleitores se sentiram traídos com o elogio a Eduardo Cunha (e eu nem acho que isso tenha sido grave) e afrontados com a homenagem prestada a Ustra. Os mais ferrenhos, procuram, sem muito sucesso, justificar as declarações do “mito”, dizendo que tudo não passou de uma provocação à Dilma, tendo em vista que Ustra teria sido o seu torturador. Seja por ideologia ou por provocação, uma coisa é certa: Bolsonaro é um destemperado! Como dar credibilidade a ele? Como eleger este cara como presidente da nação? Não duvido nada do Estado Islâmico resolver nos atacar de verdade! Já imaginaram o Bolsonaro discursando na ONU? Chamando os terroristas de vagabundos, covardes e dizendo que não tem medo deles? Já imaginaram ele dizendo que terrorista bom é terrorista morto? Dizendo que todos os muçulmanos são safados e merecem morrer? Iríamos conseguir a façanha de ser o país mais odiado que a a Coreia do Norte. Que fique claro que esta não é uma defesa ao terrorismo e sim uma constatação do despreparo e da falta de diplomacia do Bolsonaro. Falar do Bolsonaro é fácil, ele é um vilão caricato, gosta de ser visto assim, seu eleitorado curte exatamente isso. Para falar mal de Bolsonaro não é preciso pesquisar muito, está tudo na superfície. Digite o nome do Bolsonaro no youtube e diversos vídeos polêmicos brotarão na sua tela. Faça um uni duni tê e discorra. Difícil mesmo é argumentar com os partidários do outro lado. Tentem mostrar para um eleitor do Jean Willys que ele é tão extremista quanto o Bolsonaro, que os dois na verdade representam a mesma coisa e me contem como foi. Acho Jean pior que o Bolsonaro. Explico. Jean Willys se revestiu do bom mocismo, da militância em prol das minorias, para ludibriar as pobres almas que o veem como um bom político. Ele não é. Jean não é despreparado, é cínico. Jean não é um analfabeto político, é um desonesto intelectual. Se puniremos Bolsonaro por ter enaltecido um torturador, devemos estender a punição a todos os deputados que citaram Marighella durante a votação. Devemos banir a foice e o martelo da bandeira do PCdoB, por representarem o sistema mais covarde e genocida que o mundo já conheceu, aliás, devemos banir a sigla do partido. Devemos proibir a estampa com a fuça de Che, um dos criminosos mais cruéis da história (e o cara com o marqueteiro mais brilhante do mundo). E o que falar da cuspida de Jean Willys em direção ao Bolsonaro? Pior do que a cuspida só a mentira da sua explicação na rede social. Se Bolsonaro deve ser responsabilizado, Jean também deve. Num mundo perfeito, os dois seriam cassados e suas carreiras políticas soterradas.

terça-feira, 29 de março de 2016

Lista Negra




Resolvi escrever um pouco depois, pois estava esperando a poeira baixar e sairmos da zona do acaloramento do assunto (se bem que vivemos num momento em que as coisas não esfriarão tão cedo). Vamos ao que interessa. O PT fez uma lista negra há alguns anos. Nela continha nomes como Danilo Gentili, Marcelo Madureira e Reinaldo Azevedo. Os citados eram tidos como inimigos do governo, gente contra o povo e outras baboseiras de quem não admite opiniões contrárias. Alguns apoiaram, boicotaram, repetiram as sandices, divulgaram. Pois bem. Os mesmos que a criticaram, hoje sentem-se ofendidos pela lista de Rodrigo Constantino. Ambas as listas são lamentáveis. Ora, será que pedir coerência é muito? Se me perguntarem qual o problema do Brasil hoje, eu digo: Coerência! Coerência no discurso, coerência nas ações, coerência entre discurso e ação. Coerência esta,  que falta ao Sr. Rodrigo Constantino também. No seu livro “ Esquerda Caviar” diz que não devemos confundir a ideia, o posicionamento político com a obra. E não devemos mesmo. A obra de Chico Buarque perdeu a relevância por ele apoiar o governo? Não! Gregório Duvivier deixou de ser engraçado (eu acho) nas esquetes da Porta dos Fundos por escrever um monte de bobagens na sua coluna da Folha? Não! Marieta Severo deixou de ser uma grande atriz (ou monstro sagrado como diria Faustão)? Não! Este comportamento fascista (desta vez a palavra está sendo usada com propriedade) não nos leva a lugar algum. Esta briga de torcidas, esta gritaria histérica não nos ajuda em nada. Fazer listinha negra, é coisa de vilãzinha de Malhação (já dizia um amigo meu), é viadagem mesmo! Não existe imparcialidade, não somos robôs (exceto o Stephen Hawking). Todo mundo tem um posicionamento, mesmo que seja o posicionamento do outro. É mais fácil achar um unicórnio do que um jornalista imparcial. Claro que  você pode defender o seu ponto de vista sem ser um cretino mentiroso, como vemos boa parte da imprensa sendo, mas ainda assim cabe ao destinatário da mensagem acreditar ou não. Sou contra ideias, não contra pessoas (talvez algumas). Vamos discutir (dar uma xingadinha de vez em quando é saudável), debater, ouvir. Boicotar arte por causa de opinião é medieval, tirânico. Já escrevi isso (tantas vezes que o teclado digita automaticamente), e escreverei até não precisar mais: defender a democracia quando lhe é conveniente é fácil, difícil é defendê-la quando  a maioria pensa diferente de você!  



P.S: usei três palavras no diminutivo para mostrar o quanto eu sou fofa!
P.S² : todos os textos deste blog são escritos informalmente e por isso dispensei o uso dos parágrafos e optei pela formatação justificada.